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Inovação com Design

Porquê e como o design pode inovar

2015 | Artigo

Richard Buchanan (1995)  — autor do livro Discovering Design — classifica o design em quatro diferentes grupos: Programação Visual, Projeto de Produto, Serviços e Experiências e Sistemas Complexos. A última, Sistemas Complexos, é a área onde o designer precisa lidar com problemas de complexidade e atacá-los, utilizando recursos das demais áreas para projetar ambientes em que os elementos se comunicam, se ajustam e se auto-organizam.

Os ambientes em que os elementos se comunicam, se ajustam e se auto-organizam são por definição aqueles que apresentam alto grau de complexidade, e por uma perspectiva mercadológica possuem grande potencial de inovação. O surgimento de modelos de negócios disruptivos retrata o enorme impacto das soluções que são orientadas para problemas complexos, como o caso do Uber, Alibaba e Airbnb, entre várias outras empresas de grande impacto global que conseguiram através da tecnologia vencer velhos problemas e com soluções que antes eram inconcebíveis e que agora estão demasiadamente disponíveis. (Weaver, 1948; Diamandis, 2012)

O design como ferramenta para o processo de inovação foi indicado como a terceira tendência de maior interesse pelo mercado (44%), é o que aponta o relatório “As tendencias de inovação mais desejadas pelo mercado e as oportunidades para startups”. Essa tendência foi apontada por 48% dos executivos e 16% dos investidores como sendo de seu interesse. Trata-se de uma ferramenta que auxilia empresas a utilizarem o processo de design como base para o desenvolvimento de novos produtos e processos. Nessa perspectiva o design vai além de aspectos relacionado à forma para ser também uma abordagem para a solução de problemas e criação de sentido.

Uma abordagem para a solução de problemas e criação de sentido está totalmente alinhada com as empresas que estão atentas as novas necessidades e desejos do consumidor, uma vez que é necessário se diferenciar da concorrência agregando novos valores aos seus produtos e serviços. Seja através de tendências de consumo que podem estar relacionadas a comportamentos como redes sociais, classes emergentes, consumidor mobile, experiencia do cliente, consumo responsável, entre diversas outras megatendências globais como energia, alimentos, água, espaço, saúde e segurança (case Trendwatching, case Singularity). Assim como, através da disponibilidade tecnológica, como o big data, internet das coisas, inteligencia artificial, robótica, impressão 3D, drones, entre outros megacenários tecnológicos que se configuram como as smart cities, industria 4.0, economia maker, etc. (case Frank Diana ).

Freeman & Soete (2008) — autores do livro “A inovação da economia industrial” — afirmam que os antigos critérios de sobrevivência e lucratividade não são mais suficientes para impulsionar a inovação em uma empresa. Nesse sentido, a sobrevivência e crescimento de uma empresa não depende apenas de sua capacidade de adaptar-se ao ambiente externo, mas também da capacidade de antecipar mudanças internas e se diferenciar do restante do mercado de forma ativa, e não mais reativa.

Apontam o trabalho de Christensen (1995) como uma alternativa original e interessante para identificar oportunidades de inovação dentro das empresas. Christensen (1996) propõe quatro categorias genéricas de ativos nas empresas para inovação: ativos em pesquisa científica; ativos em processos inovativos; os ativos de aplicação inovativa de produtos; e os ativos de projetos estéticos. Freeman & Soete afirmam que esses últimos têm sido frequentemente esquecidos na teorização sobre competências em inovação, mas são da maior importância em muitas indústrias e serviços. (FREEMAN & SOETE, 2008, p.490)

Os ativos relativos ao design são comumente considerados como parte da função de marketing de desenvolvimento de produtos, mas eles também podem ser considerados como uma parte distinta, cuja principal função é fazer a ponte entre as características técnicas e funcionais do produto com os atributos de marketing. O design possui competências em tecnologia, usuário, forma, invenção, valor simbólico ou status, tradição, engenharia mecânica, ecologia, branding, tendências, arte e crítica. Assim como, contribui substancialmente para áreas estratégicas da organização, como no marketing, no desenvolvimento de produtos, na identidade corporativa, na experiência do usuário, na geração de ideias para inovação, entre outras atividades inovativas. (CHRISTENSEN, 1995; BONSIEPE, 2011).

O ativo que é ilustrado por Chistensen é emoldurado pelos exemplos de países escandinavos que lideram o ranking da competitividade, e que naturalmente também lideram a inovação através do design. A experiência desses países prova que é importante considerar o nível de maturidade do design nas empresas para poder atingir melhores resultados. (SCHWAB, 2014; DANISH DESIGN CENTRE, 2011)

Abaixo uma apresentação que faz um levantamento do cenário institucional do design no Brasil, onde, governo, agências, associações entre outras instituições se posicionam em relação a relevância do design para a inovação.

 


Buchanan, R. Discovering Design: Explorations in Design Studies. The Univesity of Chicago Press, 1995.
Weaver, W. Science and complexity. American Scientist, 1948
Freeman, C. & Soete, L. As Inovações e as Estratégias das Firmas. A inovação da economia industrial. p. 455, Editora Unicamp, 2008.
______Christensen, J. F. Asset profiles for technological innovation. p. 24(5), 727-745. Research Policy, 1995.
Christensen, J. F. Innovative assets and inter-asset linkages: a resource-based approach to innovation. p. 4(3), 193-209. Economics of Innovation and New Technology, 1996.
Bonsiepe, G. Design, cultura e sociedade. Blucher, 2011.
Schwab, K. The Global Competitiveness Report 2013–2014. World Economic Forum, 2014
Danish Design Centre. Case Studies in Design Policy & Programmes. Design Wales, 2011.

 




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