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Pré-desenvolvimento e o Sistema de Inovação

Cultura Maker

Fab Lab Inatel

2017 | Inatel

O Fab Lab surgiu como uma iniciativa de divulgação educacional do Center for Bits and Atoms do MIT, uma extensão de sua pesquisa em fabricação digital e computação. Um Fab Lab é uma plataforma de prototipagem técnica para inovação e invenção, fornecendo estímulos para o empreendedorismo local. Um Fab Lab é também uma plataforma de aprendizagem e inovação: um lugar para jogar, criar, aprender, mentorar, inventar. Ser um Fab Lab significa conectar-se a uma comunidade global de alunos, educadores, tecnólogos, pesquisadores, criadores e inovadores – uma rede de compartilhamento de conhecimento que abrange 30 países e 24 fusos horários. Como todos os Fab Labs compartilham ferramentas e processos comuns, o programa está criando uma rede global, um laboratório distribuído para pesquisa e invenção. Atuei juto ao Núcleo de Empreendedorismo e Inovação do Inatel na implantação do Fab Lab Inatel, ministro treinamentos para formação de makers e coordeno atividades de projetos para alunos da graduação, startups do Programa de Incubação e projetos sociais com a comunidade.

A grande disponibilidade das tecnologias necessárias para a fabricação digital está criando uma disrupção na industria da manufatura. E a economia maker tem se destacado como uma das mais expoentes para o futuro dos produtos personalizados, com logística descentralizada e custo de produção cada vez mais barato. Constatei esse fato em 2015 na plataforma Web of Science da Thomson Reuters, realizando uma pesquisa de estado da arte para a implementação do projeto do Fab Lab Inatel. A palavra-chave digital fabrication apresentou 312 artigos, e a soma do número de citações foi de 564 no período de 2004 até 2016. Em quanto que para a palavra chave do-it-yourself encontrei 759 artigos publicados, e com uma soma de citações de 2517 no período de 1996 até 2015. E o mais impressionante, como mostra os gráficos abaixo, é a tendência exponencial de como isso ocorreu em um período de dez anos (2005 até 2015), e como o interesse pelo tema do-it-yorself explodiu a partir de 2005, acompanhando a produção de digital fabrication.

Levantamento de estado da arte nos temas sobre fabricação digital e faça-você-mesmo.

Esse cenário também foi retratado em diversos relatórios de diferentes organizações – Maker Market Study, The Maker MovementThe Maker Economy in ActionEnvisioning the Future of the Maker MovementMakerspace: Towards a New Civic Infrastructure – e apenas nos EUA a expectativa é de que o mercado maker chegará a US 8 bilhões até 2020. Existem algumas evidências consistentes para essa afirmação, de acordo com a Atmel Corporation, uma grande fabricante líder de microcontroladores e semicondutores para suporte do movimento do maker, há cerca de 135 milhões de adultos dos EUA que são makers. Também em 2013, a revista Wired informou que o mercado global de produtos de impressão em 3D e serviços de fabricantes similares atingiu US $ 2,2 bilhões em 2012, uma taxa de crescimento anual composta de quase 29%, em comparação com US $ 1,7 bilhão registrado na indústria em 2011.

Em 2005 a National Science Foundation concedeu aos Fab Labs US $ 14 milhões em subsídios para semear a rede nos EUA, uma iniciativa com o objetivo de estimular o empreendedorismo. No Brasil o movimento começou por volta de 2012 com tímidos três Fab Labs em movimentos de garagem, logo outras instituições abraçaram o projeto e apareceram mais Fab Labs, e surpreendentemente em 2015 já eram doze e atualmente ultrapassamos a marca de 40 Fab Labs no Brasil. O que indica que no Brasil a tendencia também se sustentará, e que logo teremos um mercado promissor.

“Os makers estão em uma “cauda longa” da demanda de produtos exclusivos que incorporam uma variedade de personalização e / ou localização… ao longo do tempo, poderíamos ver produtos personalizados que compõem uma parcela crescente do mercado”. (Making Media & Deloitte Center for the Edge, Impact of the Maker Movement: Notas do Maker Impact Summit, 2013)

 

Cursos makers, projetos e open days fazem parte da rotina do Fab Lab Inatel

De acordo com a Fab Foundation um Fab Lab é composto por ferramentas de fabricação e eletrônica, de nível industrial, comandadas em software aberto e programas escritos por pesquisadores do Centro para Bits e Átomos do MIT. Atualmente, os Fab Labs incluem uma corte a laser que faz estruturas 2D e 3D, um corte de vinil que pode criar máscaras em cobre para criar antenas e circuitos flexíveis, uma fresadora CNC de alta resolução que fabrica placas de circuitos e peças de precisão, um grande CNC Router para construção de móveis e habitação, e uma série de componentes eletrônicos e ferramentas de programação para microcontroladores de baixo custo e alta velocidade para prototipagem de circuitos rápidos no local.

O Fab Lab foi originalmente concebido para as comunidades como plataforma de prototipagem para o empreendedorismo local. Contudo, os Fab Labs são cada vez mais adotados pelas escolas como plataformas para a educação STEM, baseada em projetos e prática. Os usuários aprendem projetando e criando objetos de interesse pessoal ou baixando projeto compartilhados. Empoderados pela experiência de fazer algo por si mesmos, ambos aprendem e mentoram-se, obtendo conhecimento profundo sobre as máquinas, os materiais, o processo de design e a engenharia que entram em invenções e inovações. Em contextos educacionais, ao invés de confiar em um currículo fixo, o aprendizado acontece em um contexto pessoal autêntico, envolvente, em que os alunos passam por um ciclo de imaginação, design, prototipagem, reflexão e iteração, pois encontram soluções para desafios ou trazem suas idéias para a vida.

 

Vídeo sobre o projeto BioHack promovido pelo Garagem Fab Lab

 

Fontes: Garagem Fab Lab, Fab Foundation

 




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